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No dia 9 de abril, aconteceu, na Faculdade de Medicina da Universiade de São Paulo (FMUSP), o quarto encontro do Fórum Intersetorial para Combate às DCNTs no Brasil (FórumDCNTs). A iniciativa, oficialmente lançada em outubro de 2017, conta com a participação de mais de 50 instituições da área de doenças crônicas não transmissíveis. Proposta pelo Public Health Institute (PHI), uma das maiores e mais tradicionais organizações sem fins lucrativos na área de saúde pública, dos EUA, tem entre seus parceiros fundadores a Medtronic Foundation, o CIES Global, a Associação Brasileira de Hipercolesterolemia Familiar (AHF) e a ADJ Diabetes Brasil. Por valorizar a intersetorialidade, além do engajamento das principais empresas da área da saúde, conta com a participação ativa do Ministério da Saúde e de representantes de Secretarias Estaduais e Municipais da Saúde desde seu primeiro encontro.


Em seu quarto encontro, destacou-se o lançamento em primeira mão do Relatório da Sociedade Civil sobre a Evolução dos Indicadores de Prevalência dos Principais Fatores de Risco e de Proteção das DCNTs no Brasil. Liderado pela ACT Promoção à Saúde, com apoio da NCD Alliance, permitiu a atualização dos participantes do FórumDCNTs com dados que apontam áreas de melhoria e outras de grande preocupação, entre os anos de 2011 e 2017:

  • redução da proporção de adultos fumentes (de 14,8% para 10,1%)*
  • aumento do percentual de adultos que realiza atividade física no lazer (de 30,3% para 37%)
  • crescimento na prevalência de sobrepeso (48,5% para 54%) e de obesidade (de 15,8% para 18,9%)
  • aumento no consumo abusivo de álcool (de 17% para 19,1%)
  • redução do consumo regular de refrigerantes (de 29,8% para 14,6%)

*porém com estabilização dessa queda nos últimos anos (2015: 10,4%, 2016: 10,2% e 2017: 10,1%).

Segundo a Sra. Mônica Andreis, Diretora Executiva da ACT Promoção à Saúde, "a sociedade civil precisa estar sempre atenta e engajada para podermos continuar avançando, e decisões legislativas e regulatórias não levem a perdas no que já foi alcançado, mas sim a avanços que protejam a sociedade". A mesma entidade apresentou durante o evento suas ações quanto à taxação de alimentos supreprocessados e rotulagem frontal que possa informar melhor a população sobre nutrientes potencialmente danos presentes nos alimentos industrializados, conforme já adotado em outros países.

Outro destaque foi a apresentação do Programa Cities Changing Diabetes por seu Diretor Global, Steffen Nielsen. O programa, já presente em 19 cidades nos diferentes continentes, tem como meta "entortar a curva" (para baixo), ou melhor, lentificar o aumento da prevalência de diabetes no mundo e, ao mesmo tempo, melhorar o acesso ao tratamento e os indicadores de qualidade de vida de quem tem diabetes, assim como aumentar a porcentagem de pessoas dentro da meta de glicemia e, com isso, a prevenção de complicações. Com mais de 100 parceiros pelo mundo, o programa é construído sobre uma simples e eficaz plataforma de sustentabilidade, na qual o governo da cidade onde é implementado atua como o principal parceiro local e identifica demais parcerios implementadores. A empresa Novo Nordisk, por sua vez, além de engajá-los na rede do programa, arca com os custos de avaliação e monitoramento em cada uma das cidades. Com isso, diferente de outros programas, o Cities Changing Diabetes não tem data de fim, os governos que o implementam têm liberdade para continuar indefinidamente. Segundo o Sr. Nielsen, a ideia é expandir o programa para um total de 50 cidades pelo mundo.

O quarto encontro do FórumDCNTs permitu, ainda, que cinco diferentes grupos de trabalho se encontrassem para avaliar onde chegaram desde o terceiro encontro e definir novas estratégias e próximos passos:

  • grupo 1 realinhou com a Secretaria da Saúde do Estado de São Paulo e CIES Global os planos para detecção e encaminhamento de casos de hipercolesterolemia familiar;
  • grupo 2 definiu a colaboração entre regiões para aperfeiçoamento de programas para cuidados de diabetes e hipertensão, como o HealthRise, HeartRescue e Better Hearts Better Cities;
  • grupo 3, liderado pelo movimento Todos Juntos Contra o Câncer e com a participação das entidas Abrale/Abrasta, Instituto Desiderata e Oncoguia, mapeou o caminho e dificuldades da pessoa com câncer no SUS e planeja, a partir de agora, desenhar um modelo com recomendações de melhorias baseadas em benchmarks;
  • grupo 4 está desenvolvendo uma estratégia mais ampla para educar a população sobre Alimentação Saudável e avançar com as pautas de taxação de bebidas açucaradas e rotulagem frontal; 
  • grupo 5, sobre prevenção de DCNTS, que já vinha amarrando colaborações entre os projetos do Agita-SP, da Vital Strategies e o projeto KiDS, focando na saúde de crianças e adolescentes, optou por unir esforços através do tema transversal: saúde mental.

Apresentações de destaque incluiram o Dr. Victor Matsudo, fundador do movimento global Agita Mundo, que mostrou o impacto direto da redução do sedentarismo sobre a saúde e prevenção de doença cardiovascular em cidades do interiro de São Paulo e destacou a nova orientação da OMS, todo passo conta; o Dr. Edson Amaro revelou o potencial do big-data para a elaboração de modelos preditivos que serão úteis tanto para o planejamento da saúde pública, quanto para a orientação de cada pessoa individualmente; e a Sra. Ingrid Krasnow que destacou o exemplo de Berkeley onde a mídia foi engajada e, apesar da campanha da indústria de bebidas açucaradas contra a taxação, os stakeholders foram apropriadamente informados e a população estava munida de argumentos consitente, o que levou à elaboração da política responsável por reduzir em 20% o consumo dessas bebidas na cidade. 

Após esse dia de intenso trabalho e aprendizagem com grandes líderes e autoridades na área, que lideram alguns dos principais programas para prevenção e tratamento de DCNTs no Brasil e exterior, o FórumDCNTs continua suas atividades através deNotícias, +Recursos, Oportunidades para Percerias, Cases de Sucesso, Newsletters e Webinars até o próximo encontro presencial, em outubro de 2019. E não perca as fotos e vídeos deste e dos encontros anteriores.

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