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Homenagem ao Roberto Kikawa, um mestre inspirador

Os organizadores, conselheiros e participantes do ForumDCNTs expressam sua perplexidade com o assassinato de nosso membro do conselho consultivo, Roberto Kikawa.

Dr. Roberto Kikawa, no 1o Encontro do #FórumDCNTs

 Roberto esteve graciosamente envolvido com o ForumDCNTs desde seu início. Sua palestra já no primeiro encontro, em 25 de outubro de 2017, foi uma das mais aplaudidas. No aniversário de um ano de ForumDCNTs esteve de volta e, no dia 23 de outubro de 2018, ministrou uma verdadeira aula sobre como a aliança como o sistema público de saúde tem alto potencial de sucesso. Falou sobre como o CIES Global passou a identificar oportunidades de transformar o atendimento de forma mais efetiva, enfatizando valor/qualidade. Reforçou a ideia de que para se trabalhar com o sistema público, é preciso antes entender suas características. Deixa, com isso, uma organização que tem transformado a saúde em São Paulo e outras cidades no Brasil, usando a tabela SUS, e no mundo.

 

Dr. Roberto Kikawa, no 3o Encontro do #FórumDCNTs

Gostaríamos de poder continuar contando com sua inteligência e empreendedorismo fazendo sempre a diferença para quem mais precisa. Deixamos aqui nossa eterna homenagem e admiração por Roberto Kikawa, morto no dia 10 de novembro de 2018, aos 48 anos, em São Paulo.

 

Mais detalhes:

Folha de S. Paulo

G1

CIES Global

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Planos de ação para ampliar o combate às doenças crônicas não transmissíveis (DCNTs) no Brasil foram elaborados por mais de 40 autoridades e representantes dos setores público e privado, que passaram a última terça-feira (23/10) reunidos no terceiro encontro do Fórum Intersetorial para Combate às DCNTs no Brasil.

O evento contou com a presença ativa de diretores do Ministério e de secretarias da Saúde, de bancos, de indústrias e de organizações sem fins lucrativos nacionais e internacionais que apoiam pesquisas e desenvolvimento de projetos na área da saúde.

Os especialistas dedicaram o dia para traçar planos conjuntos, com metas e prazos claros, para melhorar a prevenção e o tratamento ao grupo de doenças que engloba diversos tipos de câncer, diabetes e problemas pulmonares e cardíacos. Os focos principais são a prevenção, que envolve alimentação mais saudável e mudança de hábitos sedentários, e o acesso ao tratamento de qualidade para quem já apresenta uma DCNT.

A interdisciplinaridade é ressaltada por Mark Barone, diretor do Public Health Institute no Brasil e organizador do fórum. Ele faz questão de frisar a importância de que o compromisso por reduzir a incidência de DCNTs seja assumido pelo poder público como um todo, não só pelo Ministério da Saúde, como costuma ser. “Todas as outras áreas do governo são responsáveis pela prevenção dessas doenças. É preciso entender também que o setor público não é o único responsável. A sociedade civil e a iniciativa privada têm que assumir o seu papel”, diz.

Por ter ocorrido menos de um mês depois da Reunião de Alto Nível sobre DCNTs da ONU, que ocorreu no dia 27 setembro, o encontro serviu também como uma forma de fazer um balanço das atividades desenvolvidas no Brasil em relação ao resto do mundo.

Representantes do governo e do Fórum que participaram da Reunião de Alto Nível trouxeram suas análises. A diretora de Doenças Crônicas Não Transmissíveis do Ministério da Saúde, Maria de Fátima Marinho, afirma que as diretrizes da reunião da ONU poderiam ter sido mais específicas, mas comemora que, pelo menos, não houve nenhum recuo na política de combate às doenças. O Brasil, lembra ela, se mostra na direção certa, ao ser um dos poucos no caminho de atingir a meta de reduzir em 1/3 a mortalidade prematura - de pessoas com menos de 70 anos de idade - por doenças crônicas não transmissíveis até 2030.

Marinho acredita que é hora de olhar globalmente para as mulheres e focar no combate ao uso abusivo de álcool. “Enquanto homens estão fumando menos e mantendo o mesmo nível de uso abusivo de bebida alcoólica, ambos os comportamentos têm aumentado entre mulheres”, explicou, com base em estudo do Ministério da Saúde.

Laura Cury, da ACT Promoção da Saúde, e Júlia Santos, da Alianza Latina e Abrale, concordaram que a impressão geral é de que a Reunião de Alto Nível das Nações Unidas sobre as DCNTs trouxe metas pouco ambiciosas. “Falta uma linguagem forte ao tratar da redução de consumo de produtos nocivos. Essa omissão reflete a influência da indústria desses produtos: tabaco, álcool, alimentos ultraprocessados e bebidas açucaradas”, diz Laura. A tributação de produtos não saudáveis deveria ser reforçada como uma forma de ter subsídios para saúde pública, complementa Júlia.

Mudança de hábitos

Doenças crônicas não transmissíveis são responsáveis por mais de 72% das causas de morte no Brasil. As doenças cardiovasculares e AVC, o diabetes, os diferentes tipos de câncer, e as doenças respiratórias crônicas são as que apresentam maior prevalência no país. A redução de sua incidência passa também pela mudança de hábitos. Marinho, do Ministério da Saúde, lembra que, no Brasil, atividade física reduz em 12% mortalidade por câncer de mama. E coube também aos presentes no encontro do FórumDCNTs discutir boas práticas na área.

 

Os programas que buscam cidades mais saudáveis, como o uso compartilhado de bicicletas e incentivo a ciclovias, foram abordados por Pedro de Paula e Hannah Machado, da Vital Strategies; Roberto Kikawa, do CIES Global; e Simone Gallo Azevedo, diretora do Itaú. O banco, afirmou Simone, investe R$ 60 milhões por ano no compartilhamento de bikes e usa o projeto “como um gerador de demanda por políticas públicas para melhorar a integração do cidadão com a cidade e gerar impacto na saúde”.

São Paulo vem avançando no auxílio à busca por um modo de vida saudável, na mudança de paradigma para colocar a pessoa a pé e de bicicleta acima dos transportes individuais motorizados”, complementa Hannah Machado.

 Parcerias essenciais

A importância da união de setores nestes avanços foi bastante ressaltada pelo professor Antonio Luiz Pinho Ribeiro, da UFMG. O potencial das parcerias público-privadas (PPPs) é enorme, diz Ribeiro, pois é possível incorporar “a inteligência e a capilaridade do setor público à eficiência do setor privado”. Ele falou sobre o Programa HealthRise, desenvolvido em parceria e com financiamento da Medtronic Foundation, que intensificou a detecção e o controle de hipertensão arterial e diabetes em regiões pobres do Brasil.

As PPPs são também o forte do médico Roberto Kikawa, que participou do evento. Ele é reconhecido pelo êxito dos programas do CIES Global (Centro de Integração de Educação e Saúde), que passou a oferecer, por meio de parcerias público-privadas, atendimento médico por exames, consultas e cirurgias de baixa e média complexidade a comunidades desassistidas.

Mas parcerias não precisam - nem devem - ser apenas entre o poder público e o setor privado. A colaboração também entre diferentes organizações do mesmo setor e incluindo a participação da sociedade civil e as ONGs que a representa é tida como essencial para o sucesso dos projetos de saúde, concordam os especialistas que se reuniram no terceiro encontro do Fórum Intersetorial para combate às DCNTs.

As melhores formas de atrair bons parceiros é mergulhar fundo para entender as necessidades locais, com foco nas pessoas que serão atingidas por ele, pontua Johannes Boch, da Novartis Foundation. Ele é responsável pelo projeto Better Hearts Better Cities, traduzido para Cuidando do Seu Coração, que busca melhorar o combate a doenças cardiovasculares na Zona Leste de São Paulo.

Envolvida no projeto, a responsável pela Supervisão Técnica de Saúde de Itaquera, Márcia Maria de Cerqueira Lima, concorda. Para ela, ter embaixadores locais, que ajudem a estruturar o projeto de acordo com as necessidades da população, é muito relevante, pois faz a comunidade “realmente vestir a camisa” no combate e prevenção às DCNTs.


 

 

 

 

O terceiro encontro do Fórum Intersetorial de Combate às DCNTs no Brasil aconteceu no Instituto do Legislativo Paulista, da Assembleia Legislativa de São Paulo (ILP - Alesp). Mais informações sobre o fórum podem ser encontradas no site www.ForumDCNTs.org e no perfil do Twitter @ForumDCNTs.

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Por Lucas Xavier

O balanço da Reunião de Alto Nível sobre DCNTs durante a Assembléia Geral da ONU, no dia 27 setembro, foi, em geral positivo. Apesar disso, vale a pena identificar o que ficou faltando ou aquém do esperado.

Pontos Positivios:

  • Um total de 23 Chefes de Estado e de Governo falaram durante as sessões plenárias da Reunião de Alto Nível sobre DCNTs (HLM). Embora seja decepcionante, dado que 59 indicaram que iriam comparecer, muitos desistiram depois de terem sido informados de que não poderiam falar, pois não havia tempo suficiente nos segmentos plenários para acomodar todos os oradores interessados. 55 Ministros da Saúde também compareceram e falaram no plenário (assista à fala do ministro do Brasil).
  • Muitos Estados Membros frequentemente se referiram à necessidade de ouvir as vozes e envolver as pessoas que vivem com DCNTs em suas respostas nacionais às DCNTs.
  • A iniciativa NCD Countdown 2030 foi referenciada por vários oradores de alto nível, incluindo a Princesa Dina Mired da Jordânia e Saia Ma'u Piukala, Ministro da Saúde de Tonga e Sania Nishtar.
  • A sociedade civil das DCNTs foi mobilizada, responsiva e envolvida. A energia era palpável e certamente continuará em 2019, à frente na HLM da ONU, que terá como tema a cobertura universal à saúde (UHC).
  • A campanha #ENOUGHncds, da NCDA, alcançou mais de 4,5 milhões de pessoas, com 7.000 tweets. 


Pontos Negativos:

  • O acesso a medicamentos, tratamento e atenção às DCNTs teve pouca visibilidade nas declarações do governo ou nas declarações durante as sessões do painel.
  • A indústria esteve presente na sede da ONU e colaborou com os Estados Membros em um evento paralelo sobre "a contribuição da indústria da cerveja para o desenvolvimento".
  • A retórica de garantir que o engajamento e a participação da sociedade civil, das pessoas que vivem com as DCNTs, não se traduzam em ação, com pouco ou nenhum espaço de liderança para a sociedade civil ou PLWNCDs em eventos paralelos oficiais.
  • Intervenções da sociedade civil e de outras partes interessadas durante as sessões do painel de participação múltipla foram mal administradas, resultando em apenas algumas declarações. O primeiro orador convidado a falar como sociedade civil durante o Painel 2 foi, na verdade, um representante da indústria de alimentos e bebidas.
  • Nenhum compromisso financeiro dos governos para acelerar as respostas nacionais às DCNTs.

Adaptado da NCD Alliance, Newsletter de 28 de setembro.

Conheça a declaração publicada pela NCD Alliance e assinada por uma série de entidades e indivíduos, em resposta às limitações do texto do compromisso assinado na ONU pelas nações.

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#FórumDCNTs se associa à rede global da NCD Alliance

Logo após o reunião de alto nível da ONU sobre DCNTs recebemos a comunicação de que o Fórum Intersetorial para Combater às DCNTs no Brasil (#ForumDCNTs) foi selecionado como membro da rede global da NCD Alliance (NCDA). Por duas razões principais é uma notícia que nos orgulha muito. A primeira delas é o fato de o #ForumDCNTs ter sido o primeiro grupo selecionado no Brasil e na América do Sul. A segunda razão é o fato de a NCD Alliance ser a entidade mais ativa nas reuniões globais, levando as demandas das populações e cobrando compromisso e resultados dos governos. 
 
Como membros da rede NCDA, além de acesso a informações e oportunidades únicas, passamos a fazer parte de uma rede com organizações e grupos que reúnem centenas de instituições afiliadas em todo o mundo; de federações globais fundadoras, a outras organizações da sociedade civil nacionais e internacionais, associações científicas e profissionais, e instituições acadêmicas e de pesquisa.
 
Como membro do #ForumDCNTs, conte com recursos compartilhado pela NCDAem nosso site e outras novidades da NCDA em nossas Newsletters.
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Lançado nas vésperas da Reunião de Alto Nível da ONU sobre DCNTs, estudo mostra estado atual dos países para atingir o objetivo de reduzir em 1/3 mortalidade precoce por DCNTs e outros objetivos associados: http://ncdcountdown.org. Surprendentemente, na opinião de muitas autoridades, Brasil aparece bem posicionado.

A Contagem Regressiva NCD 2030 é uma colaboração independente para informar políticas que visam reduzir o ônus mundial das DCNTs e garantir a responsabilidade em relação a esse objetivo. A Contagem Regressiva NCD 2030 é uma colaboração entre a OMS, The Lancet, NCD Alliance, o Centro Colaborador da OMS sobre Vigilância e Epidemiologia de DCNTs no Imperial College London, e pesquisadores e profissionais de todas as regiões. 

resumo do estudo aponta que o principal objetivo é monitorar o progresso em direção à meta dos ODS 3.4. Contagem Regressiva NCD 2030 informará regularmente sobre o progresso em direção à meta dos ODS 3.4.

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No dia 13 de setembro, foi realizado no Auditório do CIES Global, uma sessão interativa facilitada pela Diretora de Saúde Global da Fundação Medtronic, Jessica Daly. O evento abordou prioridades em Saúde Global, com o objetivo de identificar convergências entre os setores, seus papeies, e o novo foco de ação das fundações internacionais.

A sessão, que contou com a presença de organizações como: Abrale, ADJ Diabetes Brasil, CIES Global, Novartis Foundation, Public Health Institute, entre outras, desenvolveu-se em formato de diálogo e troca de experiências entre a Sr. Daly e os participantes. Na palestrante foram destacados os objetivos da Fundação Medtronic, enquanto um instituição criada há 40 anos para dar suporte a problemas de saúde espalhados pelo mundo, com foco em populações carentes,  buscando, atualmente, colaborar para que os objetivos de desenvolvimento sustentável da ONU sejam atingidos, principalmente do ODS 3. Para isso, a fundação propôs diversos programas pelo mundo, com destaque para os implementados nas regiões de Vitória da Conquista e Teófilo Otoni, no Brasil, o HealthRise e o HeartRescue. Os países que recebem os projetos são, em sua maioria, países em desenvolvimento, incluindo África do Sul, China, Índia, Tanzânia, Uganda e regiões específicas dos EUA. Entre as condições contempladas pelos diferentes programas estão: diabetes, hipertensão, AVC, infarto e doença reumática cardíaca. Segundo a Sra. Daly, a Fundação valoriza a participação ativa de toda a comunidade onde os programas são implementados, com destaque os profissionais de saúde de atenção primária, os agentes comunitários de saúde e os usuários do sistema de saúde e suas famílias. Em relação à evolução do papel das fundações, revelou que de uma posição de patrocinadoras, fundações, como a Fundação Medtronic, hoje buscam parcerias estruturadas com os diferentes setores, para que as necessidades globais e locais sejam identificadas e endereçadas, e que os programas possam ter impacto efetivo, devidamente avaliado.

No Brasil, ficou claro que os projetos, desenvolvidos em parceria e dentro do SUS, dizem respeito ao tratamento e prevenção secundária e terciária em doenças crônicas não-transmissíveis (DCNTs). Outras de suas características são: de âmbito de saúde coletiva; envolvem, ao menos, uma DCNT; são implementados por universidades públicas instaladas na região dos projetos; e contam com parceiros nacionais e internacionais. Enquanto alguns dos projetos, como o HeartRescue, estão em seu início, outros, como o HealthRise, estão em encerramento de ciclo. 

O bate-papo que fechou a sessão teve com o intuito identificar novas ideias e estratégias eficazes para os principais desafios de saúde pública. A ideia de unir esforços inter- e intra-setor ganhou especial destaque, a fim de garantir sustentabilidade e escalabilidade das melhores estratégias desenvolvidas, ao invés de se apostar em esforços pulverizados.

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Por Patríicia Vieira de Luca 

O evento “Desafios do colesterol no Brasil”, realizado no dia 9 de agosto, na Assembleia Legislativa de São Paulo, apresentou o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para tratamento da Hipercolesterolemia Familiar do estado de São Paulo. O Protocolo já foi encaminhado e está sendo analisado pela Secretaria de Saúde para que possa ser enviado ao secretário para aprovação e assinatura e, posteriormente, para implementação como Programa de Governo.

Estiveram presentes e participaram do evento a Profª. Dra. Maria Cristina Izar, responsável pelo Protocolo, e a Profª Dra. Tania Martinez, ambas membros do Conselho Científico da Associação Brasileira de Hipercoolesterolemia Familiar (AHF), a Dra. Ana Paula Chacra, do ambulatório de Lípides do InCor e o Prof. Dr. Denizar Vianna, da UERJ, especialista na relação custo-benefício no tratamento das doenças crônicas no Brasil.

O evento foi proposto e liderado pelo Grupo de Advocacy em Cardiovascular - GAC, formado pelas entidades: AHF, ADJ Diabetes Brasil, Instituto Vidas Raras e ACTC Casa do Coração, que trabalham direta ou indiretamente com doenças relacionadas ao coração.

 

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Por Denilson Oliveira

O segundo encontro do Fórum Intersetorial para Combate às Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNTs) no Brasil, organizado em São Paulo, pelo Public Health Institute (PHI), com apoio da Medtronic Foundation, em 15 de maio, inspirou seus mais de 50 líderes e autoridades participantes com exemplos de grande sucesso. Entre eles, Dr. Mark Barone, diretor do Instituto de Saúde Pública do Brasil, citou duas parcerias entre os setores público,privado e ONGs. Uma delas é o trabalho feito pela CIES Global, que oferece consultas, exames e cirurgias por meio de unidades modulares e um sistema de gestão inovador. Hoje, são 27 locais de atendimento nos estados de São Paulo e Santa Catarina, além de dois nos Estados Unidos. O outro exemplo é o GRAACC (Grupo de Apoio ao Adolescente e à Criança com Câncer), que levou à elevação da taxa de cura dessa população de 40% para 73%. A entidade realiza 90% de seus atendimentos pelo SUS e mantem parcerias com a iniciativa privada e organizações não governamentais.

Prof. Dr. Sérgio Petrilli, Membro Fundador e Superintendente Geral do GRAACC e integrante do Fórum, complementou: “o governo é nosso parceiro e graças a isso conseguimos atrair a atenção do setor privado. Hoje, o SUS cobre 40% dos nossos gastos. Os demais recursos são provenientes de programas de renúncia fiscal de empresas, campanhas filantrópicas e doações de pessoas físicas”, disse. Segundo ele, cerca de 100 mil pessoas colaboram mensamente com uma média de R$ 20.

Outra iniciativa apresentada, o programa global HealthRise, criado pela Medtronic Foundation, prevê expandir o acesso e a qualidade do tratamento às doenças cardiovasculares e diabetes entre as populações carentes de diversos países. Dra. Maria Angela Bourskela, coordenadora de implementação e monitoramento no país, através do Instituto de Ensino e Pesquisa do Hospital Sírio Libanês (IEP-HSL), expôs um panorama do HealthRise Brazil. “O papel do setor privado é organizar as agendas, mas nada funcionaria se não tivéssemos a parceria do SUS”, disse.

As regiões de Teófilo Otoni (MG) e Vitória da Conquista (BA) foram identificadas para receber o programa no Brasil. Para isso, as universidades federais de Minas Gerais (UFMG), dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM) e da Bahia (UFBA) foram selecionadas como parceiras. “Esses dois estados foram escolhidos por conta da alta prevalência de hipertensão arterial e diabetes. Além disso, possuem microrregiões com organização comunitária e baixo PIB per capita”.

Prof. Dr. Márcio Galvão, Professor de Farmácia Clínica da UFBA e coordenador HealthRise em Vitória da Conquista, e Ceres Almeida, secretária de Saúde do município, falaram sobre como o projeto tem contribuído para melhorar o acesso à atenção primaria entre os moradores da cidade. “Criamos três tipos de entradas de pacientes no programa: através da atuação otimizada dos agentes comunitários, colaboradores e dos próprios familiares dos pacientes, com feiras de saúdes em 23 unidades da região, além de parcerias com rádios comunitárias. Com isso, conseguimos otimizar o rastreio dessas pessoas”, disse Galvão. De acordo com o professor, o processo ajudou a cadastrar 20 mil pacientes com diabetes e pressão alta e, desse total, cerca de 4 mil foram encaminhados para algum tipo de intervenção.

“Mudar a forma como a atenção primária era feita no município valorizou a forma de assistir esses pacientes. Percebemos que, antes disso, o trabalho de motivação com a população não era realizado. Com essas ações, houve um maior engajamento das pessoas atendidas nas feiras e por parte dos profissionais de saúde. Quando um paciente é atendido num evento assim, ele se sente mais motivado e há uma maior adesão”, completou a secretária de Saúde de Vitória da Conquista. Ainda segundo ela, o projeto aproximou o meio acadêmico e os profissionais do órgão público. “Muitos trabalhos feitos na universidade são feitos e ficam por lá. Conseguimos trazer tudo isso para a prática”, completou.

Para o Dr. Reynaldo Mapelli Júnior, promotor de Justiça e assessor do Centro de Estudos e Aperfeiçoamento Funcional da CEAF-ESMP, as parcerias com o setor privado trazem mais agilidade para a saúde pública. “Minha experiência tem sido defender essas parcerias porque sempre foram importantes para o serviço de saúde. Há uma espécie de demonização desse modelo de gestão”. Há 15 anos, Dr. Mapelli dedica seu trabalho à saúde pública. Acompanha o processo de introdução das organizações sociais de saúde (OSS) no Estado de São Paulo, foi chefe de gabinete do Secretário de Estado da Saúde Giovanni Guido Cerri e coordenador do Núcleo de Assuntos Jurídicos (NAJ) da pasta.

Já o Dr. Pedro do Carmo Baumgratz de Paula, Diretor Interino da Vital Strategies no Brasil e Coordenador-executivo da Iniciativa Bloomberg para Segurança Global no Trânsito em São Paulo, lembrou que “é preciso sempre pensar em parcerias adequadas e como isso pode ser inserido na saúde pública e urbana das cidades”. Ele ainda frisou que não se resolve o problema das DCNTs no Brasil se não houver uma mudança nas políticas de transporte, emprego e renda das grandes cidades. “As parcerias também precisam focar nesse sentido e ajudar a reduzir esses índices”, completou.

Portanto, durante o evento ficou claro que os diferentes setores além de estarem abertos às parcerias, já as reconhecem como forma ímpar de atingir resultados em saúde. Exemplos de sucesso estão disponíveis, o desafio agora é ampliá-los de forma sustentável para que possam dar conta do aumento exponencial na prevalência das DCNTs, sem deixar desassistidas populações frequentemente alijadas.

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Por Denilson Oliveira

Pela segunda vez, os participantes do Fórum Intersetorial para Combate às DCNTs, se reuniram para compartilhar conhecimento, recursos e encontrar respostas para o cenário das doenças crônicas não transmissíveis no Brasil. O encontro aconteceu no Espaço França, em São Paulo, no último dia 15 de maio, e reuniu representantes dos setores público e privado, além de organizações não governamentais.

A abertura do evento ficou a cargo de Mark Barone, diretor do Instituto de Saúde Pública do Brasil. "O objetivo do fórum é formar parcerias entre os diferentes setores e que são vistas como única forma de solucionar questões de saúde pública relacionadas às DCNTs no Brasil", disse Barone.

Durante sua apresentação, Barone lembrou do conjunto de “17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS)”, criados pela Organização das Nações Unidas e que devem ser atingidos por todos os países do mundo até 2030. Segundo ele, dois pontos do documento internacional servem para pautar os trabalhos do Fórum de DCNTs. São eles:

- Até 2030, reduzir em um terço a mortalidade prematura por doenças não transmissíveis via prevenção e tratamento, e promover a saúde mental e o bem-estar (meta 3.4 do ODS 3); e

-  Incentivar e promover parcerias públicas, público-privadas e com a sociedade civil eficazes, a partir da experiência das estratégias de mobilização de recursos dessas parcerias (meta 17.7 do ODS 17).

Barone também apresentou um panorama das doenças crônicas não transmissíveis em nosso país. Hoje, as DCNTs são responsáveis por 75,8% dos óbitos no Brasil. Para se ter ideia, em 1990, esse índice era de 59,6%. “Os principais fatores de risco que estão levando à morte prematura relacionada às doenças crônicas no Brasil são modificáveis, com destaque à alimentação não saudável, o sedentarismo e o uso abusivo de álcool, tabaco e outras drogas”.

Ao longo do dia, outros palestrantes também reforçaram a importância dessas parcerias para a saúde pública e o combate às DCNTs. “É possível melhorar o sistema de saúde brasileiro com a participação cada vez mais decisiva dos três setores, afirmou Sandro José Martins, coordenador geral de atenção especializada do Ministério da Saúde. Como exemplo, ele citou o programa Farmácia Popular, que distribui gratuitamente medicamentos em parceria com redes de farmácias de todo o Brasil. “Esse projeto foi desenvolvido para capilarizar o acesso aos remédios em nosso país e hoje chega a 80% dos municípios brasileiros”.

Richard Blumel, gerente de Relações Governamentais do CIES Global, falou sobre a parceria realizada com a Prefeitura de São Paulo, durante o programa Doutor Saúde. “O município de São Paulo tinha uma fila de espera de 417 mil exames, quando a gestão do prefeito João Dória Júnior assumiu a prefeitura, nosso desafio era zerar esse número. Conseguimos alcançar nosso objetivo com a utilização de carretas de saúde itinerantes, onde encaminhávamos os pacientes para o serviço Hora Certa ou hospitais modulares, feitos com uma estrutura de containers. Do total encaminhado, 75% era resolvido nesses espaços. O restante, era encaminhado para a alta complexidade”.

Entre as instituições parceiras, a Abrale, o Plan International, a ADJ Diabetes Brasil, a Universidade Federal da Bahia, a Novartis Foundation, a Alianza Latina, a Associação Brasileira de Hipercolesterolemia Familiar (AHF), a Medtronic e a ITMS apresentaram iniciativas inter- e multi-setoriais que têm transformado a saúde no país. Esta última apresentou um programa que demonstra claramente como as parcerias podem impactar de forma decisiva os resultados em saúde. O LATIN (Latin America Telemedicine Infact Network), presente também na Colômbia e no México, conecta mais de 200 centros e já tratou mais de 3.180 infartos desde abril de 2014. Além das secretarias de saúde, hospitais e unidades de saúde, o programa conta com a parceria entre o ITMS a Lumen Foundation e a Medtronic. Na cidade de Guarulhos, por exemplo, após apenas dois meses de implementação do projeto, a mortalidade por infarto despencou de 25% para 7,2%

 

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           No dia 25 de outubro de 2017, na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (ILP-ALESP), aconteceu o primeiro encontro do Fórum Intersetorial para Combate às DCNTs, patrocinado pela  Medtronic Foundation e organizado pelo  Global Health Leaders, um programa do Public Health Institute. Participaram deste, autoridades dos diferentes setores, líderes da iniciativa privada, representantes do Ministério da Saúde e da Secretaria Municipal de Saúde, e diretores de organizações não-governamentais ligadas às diferentes doenças crônicas não-transmissíveis.

           O tema não poderia ser mais corrente, visto que as DCNT são um dos maiores problemas da saúde pública. Estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que as DCNTs são responsáveis por 68% das mortes ocorridas no mundo, com destaque para doenças cardiovasculares, cânceres, doenças respiratórias e diabetes mellitus. No Brasil, a transição epidemiológica levou  a preponderância de mortes das doenças infectocontagiosas para as DCNTs (responsável por mais de 72% das mortes) e violência, nos últimos anos

           Estas doenças têm como características em comum o fato de precisarem de acompanhamento de rotina para seu tratamento. Não se pode considerar que após um infarto do miocárdio a pessoa continuará sua vida da mesma maneira, muito menos que ela pode abandonar o acompanhamento – e o mesmo pensamento se estende às outras DCNTs. Além disso, não são transmitidas pessoa a pessoa, diferentemente de doenças bacterianas ou virais. Tão importante quanto o tratamento das DCNTs é a sua prevenção. Destaca-se o fato de a maioria dos fatores de risco serem modificáveis – ou seja, comportamentos que favorecem o aparecimento das doenças – que podem ser alterados, a fim de preveni-las. Alguns dos principais fatores de risco comuns para o desenvolvimento da maioria das DCNTs incluem o sedentarismo, os maus hábitos alimentares e o uso de álcool e tabaco.  

                Especialmente pensando nisso, o Ministério da Saúde desenvolve estratégias para modificar fatores de risco para as DCNTs. A doutora Maria de Fátima Marinho, Coordenadora do Ministério da Saúde, explicou que essas estratégias se baseiam na promoção à saúde, no cuidado integral da saúde das pessoas e na constante vigilância, informação, avaliação e monitoramento dos fatores de risco pré-existentes. Isso é feito por meio de programas tais como o Programa Saúde nas Escolas e o Programa Academia da Saúde, além da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) e a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) – voltada para o monitoramento de fatores de risco em crianças e adolescentes – e o sistema de vigilância de fatores de risco e proteção de doenças crônicas por inquérito telefônico (VIGITEL). De acordo com o Dra. Marinho, com esses programas e estratégias de monitoramento, ocorreu uma redução significativa nas mortes causadas por doenças cardiovasculares no Brasil, no entanto, ainda há muito a ser feito.

           Buscando superar os obstáculos para prevenção e controle das DCNTs, o Fórum facilita o desenvolvimento de parcerias público-privadas, que unam a inovação do setor privado com o apoio e alcance do poder público. No Brasil, devido a várias barreiras legais, normativas, culturais e fiscais, projetos implementados por organizações da sociedade civil e universidades públicas - especificamente federais - tornam-se uma solução reais. Entre eles destacam-se o Agita São Paulo, o Nutrição em Ação, o HealthRise Brazil, além de programas diversos do CIES Global. Quanto ao Health Rise Brazil, apresentado durante o Fórum por seu coordenador de implementação do Brasil, o Prof. Dr. Davi Rumel, trata-se de uma iniciativa inovadora, contando com apoio de municípios, estados e Ministério da Saúde, o programa tem, ainda,  entre seus parceiros nacionais o IEP do Hospital Sírio-Libanês, as universidades  UFVJM, UFMG e UFBA, e entre os internacionais o IHME, a Associações Abt e a Medtronic Foundation. O objetivo principal é fortalecer o acesso a cuidados de saúde de qualidade em diabetes e hipertensão para as populações em Vitória da Conquista, BA, e Teófilo Otoni, MG. De acordo com Esther Tahrir, diretora do Public Health Institute, os programas de liderança, como o  Global Health Leaders, também são fundamentais para fornecer conhecimentos que os profissionais de saúde pública precisam para fazer a diferença nas comunidades locais e globais, ao mesmo tempo em que provocam mudanças nas políticas públicas e estimulam o desenvolvimento de parcerias público-privado (PPP).

           O lançamento do Fórum Intersetorial para Combater DCNTs no Brasil foi o primeiro passo de uma nova iniciativa multifacetada que trabalhará para reunir os setores público e privado no Brasil, a fim de compartilhar conhecimento e recursos, e encontrar soluções para mudar o cenário assustador das DCNTs no Brasil.

          Por Ronaldo J. Pineda Wieselberg, Médico da Faculdade de Medicina da Santa Casa de São Paulo e membro do Programa de Jovens Líderes em Diabetes da IDF.

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